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Estudo aponta que Piauí não registrou assasinato de pessoas trans

A entidade alerta que a ausência de casos não deve ser interpretada como indicador de segurança, mas como reflexo de subnotificação,

Foto: Antra/Divulgação

 Foto: Antra/Divulgação

Dados do dossiê divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais mostram que não houve registro oficial de mortes de pessoas trans no Piauí em 2025. Apesar do número zero, a entidade alerta que a ausência de casos não deve ser interpretada como indicador de segurança, mas como reflexo de subnotificação, invisibilização e fragilidade na produção de dados sobre a violência contra essa população.

O levantamento nacional aponta que o Brasil segue como o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo, com 80 assassinatos registrados em 2025. O número representa uma queda de cerca de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizados 122 casos, mas mantém o país no topo do ranking internacional pelo 18º ano consecutivo.

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No recorte por estados, Ceará e Minas Gerais lideram o ranking, com oito assassinatos cada. Em seguida aparecem Bahia e Pernambuco, com sete casos. Goiás, Maranhão e Pará registraram cinco ocorrências cada, enquanto Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo tiveram quatro mortes. Mato Grosso e Rio de Janeiro contabilizaram três casos, e Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul registraram dois. Amazonas, Amapá, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe tiveram um registro cada. Além do Piauí, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins também aparecem com zero ocorrências no período analisado.

Para a Antra, esse cenário exige cautela na interpretação dos dados, especialmente nos estados com ausência de registros. A entidade avalia que o chamado zero estatístico está relacionado a contextos de precariedade institucional, dificuldade de acesso a órgãos de proteção e ausência de políticas públicas específicas, sobretudo em regiões mais afastadas dos grandes centros.

“A ‘ausência’ de casos em estados como Acre, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins não quer dizer que esses estados sejam seguros ou que assassinatos não tenham ocorrido. Esse número reflete o silenciamento, a invisibilização e a exclusão social extrema vivida por essa população, em um cenário de fragilidade na coleta de dados e na atuação do poder público”, afirma a associação, avalia o dossiê.

O estudo também chama atenção para a interiorização da violência. Segundo a Antra, 67,5% dos assassinatos registrados ocorreram em cidades do interior, enquanto 32,5% foram contabilizados nas capitais. Para a entidade, esse dado reforça a hipótese de que a violência é ainda menos visível em municípios onde o acesso a instituições de defesa e à informação é mais restrito, o que dificulta tanto a proteção das vítimas quanto o registro oficial dos crimes.

Violência Naturalizada

A presidente da Antra, Bruna Benevides, afirma que os números não representam episódios isolados, mas o resultado de um sistema que naturaliza a violência contra pessoas trans no país.

“Não são mortes isoladas, revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo. Se a sociedade civil não fizer esse monitoramento diário, essas mortes simplesmente não existem para o Estado”, disse.

Os dados do dossiê foram coletados a partir do acompanhamento diário de notícias, denúncias feitas diretamente às organizações trans e registros públicos. A Antra destaca que, embora tenha havido redução no número de assassinatos em 2025, o levantamento aponta aumento nas tentativas de homicídio, o que indica que a queda percentual não representa, necessariamente, diminuição da violência.

Nordeste 

No recorte regional, o Nordeste concentrou o maior número de casos, com 38 assassinatos, seguido pelo Sudeste, com 17, Centro-Oeste, com 12, Norte, com sete, e Sul, com seis. Um levantamento histórico da Antra, que analisou o período de 2017 a 2025, aponta São Paulo como o estado com maior número absoluto de mortes, com 155 registros.

O dossiê conclui que fatores como subnotificação, descrédito nas instituições de segurança e justiça, retração da cobertura da mídia e ausência de políticas públicas específicas contribuem para a manutenção da violência e para a invisibilidade de casos em estados como o Piauí.

 

Fonte: Cidadeverde

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