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Sob chuva, Oeiras realiza tradicional Procissão do Fogaréu rica em beleza e simbolismo

O ritual, segundo a professora de História e presidente do Instituto Histórico de Oeiras, Tátilla Inêz, possui características únicas.

Foto: reprodução Diocese de Oeiras

 Foto: reprodução Diocese de Oeiras

Entre essa manifestações religiosas da Semana Santa, a Procissão do Fogaréu, realizada em Oeiras, chama atenção por sua beleza e simbolismo. A tradição existe há pelo menos dois séculos e acontece na Quinta-feira Santa, representando a perseguição e prisão de Jesus Cristo pelos soldados romanos. O ritual, segundo a professora de História e presidente do Instituto Histórico de Oeiras, Tátilla Inêz, possui características únicas, por ser uma manifestação religiosa que não acontece em muitos lugares do Brasil. 

Durante a procissão uma forte chuva não foi o suficiente para afastar os fiés de cumprir o longo trajeto do coretjo. Este ano, o sermão do fogaréu foi proferido pelo padre Cleyton Vieira, paroco da paróquia de Nosssa Senhora da Vitória. Na mensagem o sacerdote destacou o papel do homem os chamando a conversão e ao abandono do pecado.

Durante a celebração, apenas homens participam diretamente da encenação, representando os soldados romanos. Com lamparinas acesas, eles percorrem as ruas do centro histórico, que ficam completamente às escuras para destacar ainda mais o brilho das luzes. “Você vê literalmente um mar de fogo andando pelas ruas. É algo belíssimo, que a gente não consegue descrever em palavras”, relata a professora.

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Enquanto isso, mulheres e crianças acompanham o cortejo das calçadas, igrejas e praças, e seguem em oração. O momento é marcado por silêncio, fé e contemplação. As lamparinas, elemento central da procissão, simbolizam a iluminação usada na captura de Jesus, realizada durante a noite. “As lamparinas foram utilizadas porque a prisão de Jesus foi feita à noite. Aqui, houve uma adaptação com os materiais disponíveis na região, mas as mais tradicionais são feitas com lâmpada e querosene com pavio de algodão”, explica.

A tradição, apesar de ter influências europeias, especialmente portuguesas, ganhou características próprias da cidade ao longo do tempo. “Tem influência dos portugueses, mas como aqui em Oeiras era uma vila interiorana, essa prática foi adaptada com os materiais e costumes locais. O que acontece em Oeiras é genuinamente nosso, a procissão, o trajeto, a participação só dos homens e o uso das lamparinas”, destaca Tátilla.

Um dos pontos que mais chama atenção na Procissão do Fogaréu é a participação dos homens e em como a tradição tem atravessado gerações. “É bem interessante, porque isso já está se tornando uma tradição de pai para filho. A gente percebe avô, filho e neto participando juntos”, afirma.

Segundo Tátilla Inêz, a manifestação tem se fortalecido a cada ano, com a participação cada vez maior da população. E, ao contrário do que se imagina, a procissão não corre risco de desaparecer. Além do significado religioso, a Procissão do Fogaréu também movimenta a economia local, com a produção e venda de lamparinas e o aumento no fluxo de visitantes. 

“Muita gente vem só para essa procissão e compra lamparinas para guardar. Ela [Procissão do Fogaréu] movimenta o comércio, a gastronomia e a vida cultural da cidade. No Museu de Arte Sacra, tem uma parte da exposição falando da Procissão e é muito bonito”, explica.

Mais do que um evento religioso, a Procissão do Fogaréu representa a identidade, a memória e o pertencimento do povo de Oeiras. No Piauí, a manifestação é um dos ritos marcantes da Semana Santa e é em Oeiras que a celebração acontece nessas proporções.

“As procissões fazem parte da cidade de Oeiras e a de Passos é mais popular, mas, há alguns anos, a do Fogaréu tem se destacado, por isso se deve ao momento de renovação da Igreja, da participação dos jovens. A procissão está ficando gigante. Ela faz parte do imaginário coletivo da cidade. É um momento de reunião de famílias, de retorno de quem mora fora e de vivência cultural e algo que as pessoas admiram, independente da sua fé”, conclui a professora.

 

*Com informações de Portal O dia

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