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Dom Edilson diz que anunciou com coração dilacerado e triste mudanças na Semana Santa em Oeiras

Bispo Dom Edilson Soares Nobre. Foto: Emanuel Vital

 Bispo Dom Edilson Soares Nobre. Foto: Emanuel Vital

A pandemia do novo coronavírus tem afetado rigorosamente a vida dos brasileiros. Em Oeiras, coube ao líder da Igreja Católica anunciar em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira, 25, a suspensão dos principais ritos da Semana Santa em Oeiras, as procissões.

O Bispo Diocesano, Dom Edilson Nobre disse em tom visivelmente emocionado que comunicar sobre a semana Santa em Oeiras de forma restritiva se faz com o coração dilacerado e triste.

O Religioso disse que 2020 será a quarta experiência de Semana Santa em Oeiras. “Cheguei em abril de 2017, uma semana que antecedia a ‘semana de passos’. Mesmo antes de chegar a Oeiras, Semana Santa pra mim já era momento forte, de muita fé, de muita espiritualidade e de muita expectativa. Eu sei o que significa a Semana Santa para todos nós que vivenciamos a nossa fé. Em Oeiras, vivi experiências extraordinárias, momentos muito representativos de expressão popular de tanta fé onde as pessoas demonstram uma espiritualidade tão forte”, narrou o sacerdote.  

Questionado como ele se sentia em ser Bispo e ter que anunciar mudanças drásticas na Semana Santa mais tradicional do estado do Piauí, enfático ele afirmou que comunicar uma Semana Santa tão diferente, sabendo como é a experiência, o fazia com o coração dilacerado, triste, mas esperançoso. “Não estou feliz em comunicar isso, eu digo francamente que essa comunicação dilacera o nosso coração. Agente não vai ter o povão na rua, agente não vai ter aquela expressão de fé, agente não vai poder sentir aquela atmosfera de anos anteriores, mesmo que se mantenha o clima. Nós vamos celebrar olhando pras paredes e imaginando que vocês estarão do outro lado nos veículos de comunicação”, expressou Nobre.

O reverendo externou ser a proximidade que aquece o coração das pessoas, mas disse entender que se trata de um momento diferente e que para o ano que vem a expectativa é que se tenha um número muito grande de fieis nas celebrações.

Dom Edilson Nobre ainda falou sobre as lições que podem estar sendo ensinadas ao povo ante a pandemia de COVID-19 que tem provocado medo às pessoas.

“Talvez, muitas famílias estavam esquecendo-se de parar para se encontrar pra estar juntas. Muitas pessoas talvez se sentissem muito donas de si, potentes demais, capazes de resolver todos os problemas da vida. Muitas pessoas se sentiam potentes demais talvez, por conta do poder econômico. Outras, não tinham o poder econômico, mas viviam na indiferença. De repente, é preciso que algo cause impacto na vida para que agente desperte, para que agente se dê conta que algo precisa mudar. Eu diria que o coronavírus veio para provocar uma maior proximidade dentro de casa, talvez em uma ou outra casa, isso não estivesse mais acontecendo, marido e mulher distantes, pais e filhos distantes, todos correndo por causa do seu trabalho, sem tempo para a família. Talvez, muitas pessoas estivessem longe da oração. E o medo às vezes provoca isso. Muitas pessoas dizem: “eu não acredito em Deus”, mas na hora do sufoco diz, pelo amor de Deus. Eu vejo que mesmo sendo uma experiência dolorosa, essas coisas nos trazem lições de vida. A família que muitas vezes está ameaçada, com o término dessa situação, talvez, hoje, esteja mais fortalecida. As próprias redes sociais que desempenhavam um papel de muitas vezes distanciar as pessoas, agora estão aproximando mais”, ponderou Dom Edilson Nobre.

 

Redação|Folhadeoeiras   

Emanuel Vital

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