Receber notificações
  Facebook
  RSS
  Whatsapp

Sol e Vento: A natureza do estado que busca se tornar uma potência na geração de energia limpa no Brasil

Localizado no semiárido nordestino, o estado do Piauí é reconhecido pela natureza do clima semiárido e suas temperaturas elevadas.

Energias renováveis. Foto: clickpetroleoegas. Montagem folhadeoeiras

 Energias renováveis. Foto: clickpetroleoegas. Montagem folhadeoeiras

Energia renovável é a designação dada a recursos naturais como o sol, vento, água, biomassa, entre outros que são utilizados na geração de energia. Esses recursos, por serem inesgotáveis, renovam-se constantemente e a sociedade é beneficiada com seu uso no setor elétrico e térmico, além de serem essenciais para a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), responsáveis pelo aquecimento do planeta. 

O impacto ambiental advindo de energias renováveis é significativamente menor quando comparado com fontes não renováveis, tais como os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral, por exemplo). Além disso, devido ao fato dos recursos naturais estarem presentes em toda a superfície terrestre, nota-se a ampla utilização das energias renováveis para a geração de energia elétrica e térmica. É nesse cenário que o Brasil se torna referência mundial na geração de energia limpa com ênfase para solar fotovoltaica e eólica com destaque para estados da região nordeste.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem, atualmente, capacidade de produzir 22.000 MW de energia eólica e somente a região Nordeste é responsável por 20.000 MW, ou seja, mais de 90% da produção nacional. São 828 parques eólicos em operação no país, sendo 725 parques no Nordeste.

A grande extensão do território brasileiro associado às condições de clima e biodiversidade, faz a matriz brasileira ser considerada uma das mais limpas do mundo, isso por que é majoritariamente proviniente de hidrelétricas.

O esforço brasileiro em liderar o desenvolvimento de energia limpa e renovável como eólica, solar, hidráulica e hidrogênio verde visa substituir matrizes energéticas oriundas de combustíveis fósseis, como o carvão e o gás natural que são altamente poluidoras.

Para se ter uma ideia desse potencial energético, o Ministério de Minas e Energia apontou que durante a temporada de ventos de 2022, o Brasil registrou no mês de julho do referido ano, o primeiro recorde de geração eólica instantânea. O recorde foi registrado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), quando a fonte foi responsável por produzir 14.167MW de energia, o que é suficiente para atender toda a região Nordeste, durante um minuto, e ainda restar um excedente de mais de 23,2% do total da energia produzida.

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, somente em 2022, o Brasil pode ter tido acréscimo de 2.900 MW de energia eólica na matriz energética nacional, consolidando-a como a segunda maior fonte de energia do país.

A geração de energia a partir dos ventos tem uma característica sazonal ao longo dos meses do ano. No período seco, os ventos da região Nordeste propiciam uma maior geração eólica em relação aos meses do período úmido. Como a capacidade instalada de geração eólica vem crescendo ano após ano a cada “temporada dos ventos”, os recordes de geração eólica instantânea têm sido alcançados.

Com a força do vento, um aerogerador, que corresponde a uma turbina eólica transforma a energia cinética das correntes de ar em energia elétrica. Trata-se de uma energia renovável por ter a capacidade de ser reposta naturalmente no meio ambiente.

Nordeste bate recorde na produção de energia eólica

Com cerca de 80% dos parques eólicos brasileiros instalados, a região Nordeste é considerada uma das melhores do mundo na produção de energia eólica, fonte com um dos menores teores de poluição.

A região nordeste responsável pela maior produção de energia limpa do Brasil. Os maiores potenciais de ventos estão localizados na parte setentrional do Nordeste, representando ventos com grande velocidade, unidirecionais e estáveis, de acordo com o Ministério de Minas e Energia. O fator de capacidade médio verificado para as usinas eólicas do Nordeste no período de maio/2021 a abril/2022, foi de 39,8%, enquanto, no mesmo período, para as usinas eólicas da região Sul do país, foi de 33,8%.

Durante esse período, os estados brasileiros que mais geraram energia eólica foram a Bahia, o Rio Grande do Norte, o Piauí e o Ceará. Somados esses estados representaram aproximadamente 84% da energia total gerada por essa fonte no período citado.

A capacidade de gerar energia limpa

 

Localizado no semiárido nordestino, o estado do Piauí é reconhecido pela natureza do clima semiárido e suas temperaturas elevadas. Essas caraterísticas se devem à sua posição geográfica. O estado está a apenas 2º 44’ 33” ao sul da linha do equador, assim recebendo abundante luminosidade solar o ano inteiro, tornando o território piauiense rico em potencial gerador de energia solar, limpa e renovável. Visionário, o poeta Da Costa e Silva escreveu em 1923 verso do hino estadual, "Piauí, terra querida Filha do Sol do Equador", na segunda década do século XX o ilustre escritor já designava seu torrão natal com futuro promissor na produção de energia renovável.

O destaque do Piauí em potencial gerador de energia renovável não é único, a força dos ventos também tem feito do estado nordestino referência no Brasil e em toda América do Sul. Prova disso é o funcionamento do maior parque eólico da América do sul em terras piauienses. Segundo dados da Secretaria de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Piauí, o estado abriga também o maior parque solar do Nordeste, o segundo maior do Brasil e da América Latina, o São Gonçalo III.

O Piauí emerge e se destaca na produção de Energia solar fotovoltaica

Complexo solar São Gonçalo em São Gonçalo do Piauí. Foto: divulgação

Vista como uma importante ferramenta para a descarbonização atmosférica, a energia solar, captada do sol, tem capacidade para reduzir a utilização de combustíveis fósseis sem agredir o meio ambiente. O estado do Piauí tem investido pesado na geração dessa fonte energética com destaque para empreendimentos como os Complexos Solares: São Gonçalo e Nova Olinda.

No município de São Gonçalo do Piauí, o complexo solar São Gonçalo III, de acordo com a EBPR, (Agência especializada em energia), corresponde ao segundo maior empreendimento do gênero no Brasil.  Um parque que conta com mais de 2.2 milhões de painéis bifaciais solares instalados. A instalação ocupa na sua totalidade uma área de cerca 12,000,000 m², o equivalente a 1,500 estádios de futebol.

Considerando todo o complexo energético, serão gerados mais de 2,0 TWh de energia por ano, evitando a emissão de 1,3 milhão de toneladas de CO2 a cada ano na atmosfera.

No tocante a produção anual de energia em todo o empreendimento se evitará a compra de 470 milhões de metros cúbicos de gás por ano, substituídos por energia renovável produzida no país. 

Tambem no Piauí, o complexo Nova Olinda, localizado no município de Ribeira, junto a mais dois parques nas cidades de João Costa e São João do Piauí produz 270 megawatts de energia considerado o maior parque solar em operação da América Latina no ano de sua criação, 2017. Este empreendimento energético possui 930 mil painéis solares abrangendo uma área de 690 hectares, com capacidade instalada total de 290 MW e vai gerar aproximadamente 600 GWh por ano, o suficiente para atender às necessidades anuais de consumo de energia de cerca de 300 mil lares brasileiros.

A instalação ocupa uma área equivalente a 700 campos de futebol. As placas solares se movimentam de acordo com o deslocamento do sol. A energia captada é transmitida para a subestação da Chesf, localizada no município de São João do Piauí. A geração de energia solar na usina evita a emissão de aproximadamente 350 mil toneladas de CO2 para a atmosfera.

Lagoa dos ventos, no Piauí o maior parque eólico da América do Sul

Parque Eólico Lagoa dos Ventos. Foto: Portal da transparência de Queimada Nova-PI 

Atualmente, o Piauí possui o maior parque de energia eólica em operação na América do Sul. Localizado nos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio, o complexo Lagoa dos Ventos possui 230 turbinas eólicas em atividade.

O empreendimento teve sua construção iniciada em fevereiro de 2019 e orçada em 3 bilhões de reais. Também chamado de Parque Eólico Lagoa dos Ventos, é um conjunto de parques eólicos localizado no estado do Piauí que possui uma capacidade instalada operacional de 716 Megawatt, com outros 396 MW em construção.

O projeto entrou em operação em junho de 2021, contando com 230 turbinas eólicas capazes de gerar mais de 3,3 TWh por ano, o equivalente ao consumo de 1,6 milhão de residências brasileiras. Uma segunda fase do projeto está em construção: o Parque Eólico Lagoa dos Ventos III. Quando estiver em pleno funcionamento, o projeto atingirá 1,5 GW de capacidade instalada com 372 aerogeradores capazes de gerar mais de 6,7 TWh por ano e evitar a emissão de mais de 3,6 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera anualmente.

Arte/Divulgação Exame

Levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) publicado em 2023, colocou o Piauí como estado brasileiro que mais cresceu na geração de energia eólica do país em 2022. De acordo com a estatística, o estado produziu 24,85% a mais de energia eólica do que o ano anterior, 2021. O desempenho piauiense superou em dobro o nacional. De acordo com o levantamento da CCEE, a geração de energia eólica no Brasil cresceu 12,6% no comparativo anual, contra os quase 25% do Piauí.

De acordo com a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Abastecimento, Mineração e Energias Renováveis (Sedramer), Paula Jeanne, a combinação favorável de recursos naturais, investimentos estratégicos e políticas públicas eficientes tem impulsionado o Piauí a se tornar um líder na produção de energia limpa. A energia eólica, proveniente dos ventos, e a energia fotovoltaica, gerada a partir da luz solar, têm se mostrado fundamentais para impulsionar o desenvolvimento sustentável e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Paula Jeanne, secretária de Mineração e Energias Renováveis do Piauí (Foto: Divulgação / Sedramer)

Paula Jeanne ressalta a importância desse marco para o estado e destaca que o Piauí tem investido de forma estratégica na expansão da geração de energia eólica e fotovoltaica. “Aqui vale destacar que o Estado abriga atualmente o maior complexo solar de energia fotovoltaica em São Gonçalo e energia eólica na cidade de Dom Inocêncio, reconhecendo o potencial dessas fontes renováveis para impulsionar a economia, promover o desenvolvimento regional e preservar o meio ambiente”, afirma.

Segundo a secretária, as condições geográficas favoráveis, aliadas aos investimentos em infraestrutura e ações de incentivo, têm atraído grandes empreendimentos eólicos e fotovoltaicos para o estado. Os parques de energia eólica espalhados pelo território piauiense e as usinas solares têm contribuído significativamente para o suprimento energético do país.

Ventos impulsionam economia em área castigada pela escassez de chuvas

Município Piauiense de Dom Inocêncio. Foto: Prefeitura Municipal

O município de Dom Inocêncio localizado no sudoeste piauiense em pleno o semiárido nordestino, tem economia predominantemente voltada aos setores primário e terciário, compreendendo aí as atividades agrícolas, que no município se dá basicamente pela produção sazonal de feijão, milho, mandioca e algodão, e também a prestação de serviços. De acordo com o IBGE, a população é de 9.245 habitantes, sendo quase 90% desse total residente em contexto rural. O município apresenta um IDH de 0,549, o que de acordo com a Organização das Nações Unidas o classifica como um município de baixo desenvolvimento humano. Porém, com a implantação do Parque Eólico Lagoa dos Ventos essa realidade socioeconômica tem recebido forte incremento e melhorado a vida de parcela significativa da população. 

A obra fomenta, ainda, a economia local dos municípios do entorno, contribuindo com o crescimento econômico inclusivo, tanto pela geração de empregos e oportunidades quanto pela implementação de projetos sociais e apoio a comunidades locais voltados para a erradicação da pobreza na região.

Considerando todo o complexo Lagoa dos Ventos, incluindo a nova expansão, foram gerados ao todo cerca de 7 mil empregos, dos quais cerca de 2,8 mil ocupados por trabalhadores locais. Segundo, a Enel Green Power, a estimativa é que as contratações locais no complexo eólico gerem cerca de R$ 25 milhões em renda, beneficiando diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores, com impactos na economia local.

Em seu portifólio, a empresa confirma um compromisso com a geração de valor compartilhado nas comunidades em que atua e desenvolve uma série de ações de sustentabilidade baseadas no diálogo com as lideranças locais. Em Lagoa dos Ventos, foram desenvolvidos mais de 75 projetos de educação ambiental, cidadania, saúde, diversidade, cultura e formação profissional, com cerca de 80 mil beneficiados.

Em 2023, o então Secretário de Energias Renováveis do Piauí, Marlos Sampaio, destacou que as energias renováveis já se consolidam como uma nova vocação para o estado. "Apenas com energia limpa, unindo solar fotovoltaica e eólica, o estado produz o dobro da eletricidade de que precisa. Atualmente, o Piauí tem usinas de energia solar em cinco municípios e de energia eólica em outros nove, a maioria localizada no semiárido, onde o IDH é mais baixo, tornando-se uma oportunidade de geração de trabalho, emprego e renda para toda a região e dando ao semiárido uma nova vocação produtiva”, destacou na ocasião.

_________________________

Leia também

+ Economia aquecida na cidade que sedia o maior parque eólico da América Latina

 

Hidrogênio Verde, a energia que projeta o Piauí para o mundo

Lançamento da pedra fundamental do HUB de Hidrogênio Verde da ZPE Piauí (Foto: Divulgação / Governo do Piauí)

Esse avanço tecnológico na geração de energia renovável tem colocado o Estado do Piauí em evidência global com a possibilidade recente de produção de hidrogênio verde. O hidrogênio verde é um combustível limpo e renovável produzido a partir da eletrólise da água utilizando energia elétrica obtida de fontes renováveis, como a solar e eólica, disponíveis em abundância no estado. 

O projeto de produção de Hidrogênio Verde no Piauí será instalado na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Piauí, localizado em Parnaíba. O empreendimento faz parte de um investimento global de 2 bilhões na cadeia do hidrogênio no Brasil. Esse parque de energia verde terá uma instalação de produção de 10 gigawatts (GW) de hidrogênio limpo e amônia.

Ao todo, estão previstos 20 mil megawatts (MW) de potência, mais que toda a capacidade instalada da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional. 

A produção do hidrogênio verde no litoral piauiense ocorrerá com o uso de energia eólica e solar. O produto é visto por muitos como o “combustível do futuro”, principalmente em sua versão sustentável, que o Brasil tem chances de liderar globalmente.

O hidrogênio verde do Piauiense será exportada pelo porto de Luís Correia, até o porto de Krk, na Croácia, de onde partirá para abastecer indústrias europeias.

___________________________

LEIA TAMBÉM

+ Piauí na vanguarda da Energia Verde: FAPEPI impulsiona Núcleo de Estudos em Energias Renováveis

+ Hidrogênio verde do Piauí receberá financiamento europeu

 

Por; Emanuel Vital

Mais de