O subprojeto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de História da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Campus Professor Possidônio Queiroz, em Oeiras, promoveu a palestra “Povos Originários e a História do Piauí”. A atividade reuniu estudantes da rede estadual de ensino e do Instituto Federal do Piauí (IFPI) em um momento de reflexão sobre memória, identidade e valorização das populações indígenas na construção histórica do estado.
PIBID História da UESPI promove reflexão sobre silenciamentos históricos e valorização indígena
A palestra foi ministrada pelo professor Dr. João Paulo Peixoto, do IFPI, e integrou o cronograma de oficinas e rodas de conversa desenvolvidas pelo PIBID História. Segundo os coordenadores do subprojeto, Dra. Pedrina Nunes Araújo e Dr. Reginaldo Sousa Chaves, a iniciativa surgiu com o objetivo de fortalecer ações voltadas à educação antirracista e ao ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas. “A proposta surgiu como parte integrante do cronograma de oficinas e rodas de conversa do PIBID História – UESPI/Oeiras. O objetivo central foi criar um espaço de formação que atendesse às diretrizes das Leis 11.645/08 e 10.639/03, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena”, destacam os coordenadores.
A ação também buscou ampliar o acesso dos estudantes da rede pública a debates qualificados sobre a história regional, promovendo discussões sobre os povos originários no Piauí e os processos históricos frequentemente silenciados no ambiente escolar.
Estudantes participam de palestra sobre povos originários e história do Piauí em Oeiras
Além do diálogo com os estudantes, a atividade contribuiu diretamente para a formação dos licenciandos do curso de História, aproximando os futuros professores da realidade das escolas públicas e fortalecendo práticas pedagógicas voltadas à diversidade e à equidade racial. “Ao focar na problematização de silenciamentos históricos, o evento instrumentaliza os futuros professores para combater preconceitos e promover uma educação antirracista. Isso fortalece o compromisso com a construção de um conhecimento histórico que valorize a diversidade e a equidade racial no ambiente escolar”, afirmam.
Os coordenadores também ressaltam que a atividade proporcionou aos estudantes do ensino médio uma oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre o protagonismo dos povos originários na formação histórica do Piauí, ampliando o debate sobre identidade, pertencimento e memória social.
PIBID História reforça formação docente e debate sobre diversidade cultural em Oeiras
A iniciativa contou com a participação e mobilização dos CETIs Farmacêutico João Carvalho, Rocha Neto e Desembargador Pedro Sá, fortalecendo a parceria entre universidade, instituto federal e escolas estaduais da região.
Para os organizadores, a união entre as instituições tem papel fundamental na ampliação do alcance social das ações educativas e no enfrentamento dos apagamentos históricos relacionados às populações indígenas e afro-brasileiras. “A união entre a UESPI e o IFPI permite o intercâmbio de pesquisadores, enquanto a colaboração dos gestores e coordenadores das escolas garante que o debate sobre os povos originários chegue efetivamente ao chão da escola”, ressaltam os coordenadores do PIBID História Oeiras Piauí.
Palestra do PIBID História amplia discussões sobre povos originários e memória indígena no Piauí
A discente Lara Kermily destacou que a palestra chamou atenção pela linguagem acessível utilizada durante a exposição. Segundo ela, o professor João Paulo Peixoto conseguiu apresentar conceitos relacionados ao indigenismo de maneira didática e próxima da realidade dos estudantes. “Ele explicou conceitos que nós, universitários, aprendemos na matéria de indigenismo de uma forma um pouco mais acadêmica, mas usando uma linguagem simples e de fácil acesso”, relata.
Para a estudante, a atividade também contribuiu para ampliar a compreensão sobre a importância da valorização da história e da cultura indígena nas escolas, especialmente no combate a termos e práticas ainda marcadas por visões colonialistas. “Esses povos ainda existem, lutam por políticas públicas e precisam ser compreendidos dentro da nossa realidade atual. Ainda é comum ouvir pessoas tratando esse assunto como algo exótico. A palestra me ajudou a entender como apresentar esse tema para uma turma e como abordar o assunto corretamente”, afirma.
Lara Kermily também ressaltou a importância das ações do PIBID para a formação acadêmica e para a preparação dos futuros docentes diante do
UESPI fortalece educação antirracista com palestra sobre povos originários em Oeiras
s desafios da sala de aula. “O PIBID me dá uma noção do ambiente escolar real e não apenas daquele ambiente simulado que a universidade oferece. Ter contato com os alunos, entender a dinâmica da sala de aula e aprender a construir segurança para atuar naquele espaço faz toda a diferença na formação”, pontua.
Outra participante da atividade, a discente Marilhia Eduarda, ressaltou que a palestra proporcionou uma nova percepção sobre a resistência histórica dos povos originários, frequentemente pouco aprofundada durante a educação básica. “Quando chegamos no ensino superior, abre-se um leque maior de informações sobre os povos indígenas. Algo que me chamou muita atenção foi perceber como eles lutaram para defender sua história e sua cultura, mesmo com os colonizadores tentando apagar suas raízes”, destaca.
Segundo a estudante, o debate apresentado durante a palestra também chamou atenção por questionar narrativas históricas consolidadas sobre o desaparecimento dos povos indígenas. “O texto do professor me chamou atenção desde o título, ao falar sobre a farsa do extermínio. Muitas vezes a historiografia fazia a gente acreditar que os povos indígenas tinham simplesmente desaparecido ou se rendido, quando na verdade houve resistência”, afirma.
UESPI e escolas públicas promovem debate sobre povos originários e educação inclusiva
Marilhia Eduarda também destacou a importância da temática para sua formação enquanto futura professora, especialmente diante da necessidade de fortalecer o ensino sobre os povos originários nas escolas. “Ter esse conhecimento para repassar aos meus futuros alunos é essencial. Inserida nas escolas pelo PIBID, ainda percebo uma certa deficiência quando esses assuntos são trabalhados. Quanto mais isso for discutido nas escolas, mais valorizaremos a história dos indígenas e suas lutas”, pontua.
A estudante também enfatizou a contribuição do PIBID para sua preparação profissional e para a construção de experiências práticas no ambiente escolar. “O PIBID nos prepara para o mercado de trabalho e para tudo que vamos encontrar nele. Essas ações nos aproximam dos alunos, dos professores e da realidade escolar, além de ampliarem nossos conhecimentos e habilidades para o futuro como professora”, conclui.
Ação do PIBID História reúne estudantes em debate sobre história indígena e identidade cultural
A programação também contou com uma visita guiada dos estudantes ao Campus Professor Possidônio Queiroz e ao Memorial Possidônio Queiroz, localizado na biblioteca da instituição. A atividade ampliou a experiência dos participantes ao proporcionar contato com a história e a memória do campus, além de aproximar os alunos do ambiente universitário e de seus espaços de formação acadêmica e cultural.
Fonte: Uespi


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